Monkey Exchange capta US$ 6 milhões no primeiro aporte do Kinea Ventures, do Itaú

Gustavo Muller, CEO da Monkey Exchange (Divulgação)
Gustavo Muller, CEO da Monkey Exchange (Divulgação)

A Monkey Exchange, marketplace de recebíveis, acaba de levantar US$ 6 milhões em uma rodada de investimentos Série A, liderada pela Kinea, gestora do Itaú Unibanco, e pelo fundo americano Quona Capital (investidor de Creditas, Neon, BizCapital e Contabilizei).

É o primeiro aporte feito pelo novo fundo de Corporate Venture da Kinea, conhecida por sua atuação em Private Equity e fundos imobiliários. Em dezembro, a gestora como um todo tinha cerca de R$ 56 bilhões sob seu guarda-chuva. Como informou Gustavo Brigatto, do portal Startups, em setembro de 2020, a asset começou a olhar investimentos de Venture Capital no ano passado, colocando Philippe Schlumpf para liderar o novo fundo chamado “Kinea Ventures FIP Multiestratégia – Investimento no exterior”.

O round divulgado hoje é o segundo da Monkey Exchange, que já havia captado R$ 8 milhões com investidores como Wayra, hub de inovação da Telefônia e da Vivo no Brasil, Parallax Ventures (do ex-B3 Fábio Dutra), além de ex-executivos do setor financeiro, como Roberto Dagnoni (também ex-B3), e outros investidores-anjos, entre eles, João Carlos Zani, Reinaldo Rabelo (CEO do Mercado Bitcoin), Pedro Englert, Marcelo Maisonnave e Eduardo Glitz. Todos os investidores permaneceram no captable e se juntam à Kinea e Quona.

Com o investimento, a fintech planeja acelerar a expansão na América Latina, que foi iniciada no ano passado, com a contratação de Darwin Enrique Sotomayor, ex-executivo de CitiScotiabank Banco Consorcio. Agora, a startup está fechando os primeiros acordos com bancos locais. A entrada nos países latino-americanos será por etapas, explica Gustavo Muller Medeiros, CEO e cofundador da Monkey Exchange, em entrevista exclusiva.

Gustavo Muller, CEO da Monkey Exchange (Crédito: Divulgação)
Gustavo Muller Medeiros, CEO da Monkey Exchange (Crédito: Divulgação)

Em outubro, o empreendedor revelou à Finsiders que a expansão internacional começaria pelo Chile e, praticamente ao mesmo tempo, na Colômbia. A terceira nação onde a empresa pretende desembarcar neste ano é o México, que deve ficar para o segundo semestre. “Diria que estamos com mais de 50% do caminho andado para começar a operar nesses países”, diz.

Recebíveis de cartão

Outro objetivo com o aporte é acelerar o crescimento da Spike. unidade de negócio que a empresa está lançando neste mês de fevereiro e será liderada pelo sócio Bernardo Vale. Trata-se de uma plataforma para negociação de recebíveis de cartão de crédito, que deve aproveitar a nova regulamentação de recebíveis de cartão, criada pelo Banco Central (Bacen), prevista para entrar em vigor no dia 17 deste mês.

Pela nova regra, recebíveis de cartão terão de passar pelas certificadoras e, assim, poderão ser usadas como garantia em operações de crédito, trazendo maior liberdade aos lojistas e mais liquidez para o segmento. Ainda assim, matéria publicada ontem (3) pelo Valor dá conta de que a Câmara Interbancária de Pagamentos (CIP) não está pronta para operar nesse novo modelo. “De acordo com uma das fontes, a CIP concluiu não estar pronta porque apresentou instabilidade nos testes, sobretudo nas provas de carga, quando se mede a capacidade do sistema de aguentar um grande volume de dados”, diz a reportagem.

“Com a alteração regulatória, essa agenda de recebíveis fica parecida com duplicata eletrônica, que é o lastro que usamos hoje na Monkey”, explica o empreendedor. Segundo ele, o mercado de recebíveis no Brasil movimenta R$ 1,8 trilhão, sendo 60% de cartão de crédito. A tendência é que a nova regra do Bacen estimule o avanço do setor.

Na Spike, plataforma criada pela Monkey, lojistas poderão oferecer sua carteira de recebíveis de cartão de crédiot ou parte dela para financiadores — hoje em seu marketplace de recebíveis a fintech tem cerca de 30 parceiros, incluindo grandes bancos nacionais, internacionais e instituições financeiras de médio porte, com foco no atendimento a empresas.

“O lojista poderá registrar o recebível de cartão na certificadora e oferecê-lo para um leque maior. Hoje, adquirentes e alguns fundos operam esse tipo de lastro, e dependem de aval da CIP. Como benefício, os lojistas terão acesso a maior liquidez, menor taxa de desconto e podem fazer a cessão parcial da carteira.”

Crescimento

Para suportar o crescimento, a Monkey Exchange vai praticamente dobrar a equipe, hoje com 40 pessoas. A maior parte das contratações será para o time de tecnologia. Um dos principais focos na área é a criação de uma célula de inteligência de dados, que ficará responsável por prover insights, relatórios e ferramentas para os clientes e fornecedores. Perguntado se a ideia é aproveitar os insumos gerados por essa área para desenvolver novos produtos e serviços financeiros, Muller diz que não é o objetivo agora, mas não descarta esse plano em outro momento.,

Por falar em momento, a fase não poderia ser melhor para a fintech. “Batemos todas as metas de crescimento, volume e receita. E já começamos o ano acelerado”, diz Muller. Em 2020, a empresa registrou R$ 8 bilhões em volume transacionado na plataforma e espera ficar entre R$ 20 bilhões e R$ 25 bilhões. A projeção claramente é mais conservadora do que a fala dele em outubro, quando deu entrevista à Finsiders. Na ocasião, Muller disse que a meta era atingir R$ 40 bilhões em transações em 2021.

Mas as projeções para os próximos anos se mantêm. A intenção é bater R$ 100 bilhões em volume transacionado e receita de cerca de R$ 100 milhões em 2023. O empreendedor não divulga o faturamento atual, mas diz a receita cresceu oito vezes em 2020 comparado ao ano anterior. Já a base de clientes ganhou 30 novas empresas ao longo do ano passado — agora a carteira tem 50 clientes, entre eles, gigantes como Petrobras, Gerdau, Usiminas e Fiat Chrysler.

Trajetória

Com o MVP na rua desde o início de 2017, a empresa foi criada por Muller, que trabalhou por oito anos na área de Debt Capital Markets (DCM) do Bradesco e do Citi e foi sócio da XP por três anos. Ao lado dele, no início, estavam Rafael Coelho (hoje CEO da Agronow) e Bruno Oliveira, ex-sócios do fundo de Venture Capital W7, além de Felipe Adorno, ex-engenheiro de software da Netshoes.

Os empreendedores criaram uma plataforma fechada para negociação de recebíveis, conectando fornecedores da indústria a compradores de recebíveis, num modelo de leilão em tempo real. “Criamos mini-mercados para cada indústria onde o risco da empresa é negociado ali. Aí a empresa convida parceiros que conhece e se confortável em dividir informações.”

O mercado de antecipação de recebíveis virou a menina dos olhos de várias fintechs. Entre os concorrentes da Monkey Exchange está a Antecipa, comprada pela XP Inc. no ano passado. Outro player é a Liber Capital (que tem o BTG Pactual como um dos principais parceiros), que adquiriu sua competidora Adianta.

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