Quais os impactos do ‘credit as a service’ (CaaS) nos negócios

Esse movimento aparece como solução para impulsionar a operacionalização de crédito, escreve Caio Ribeiro, VP da fintech Mova
Foto: Mohamed Hassan/Pixabay
Foto: Mohamed Hassan/Pixabay

Por Caio Ribeiro*, para o Finsiders
Na esteira de novos produtos e serviços que seguem revolucionando o mercado financeiro globalmente, o ‘credit as a service’ (CaaS) aparece como solução completa para impulsionar a operacionalização de crédito, remodelando não apenas o setor financeiro, mas também democratizando o acesso e alavancando uma série de negócios.

Com esse avanço, o crédito não se limita mais aos grandes bancos. Na prática, passa a ser oferecido por empresas de diversos setores para fomentar seu ecossistema, com o poder de gerar novas fontes de receita. Trata-se de uma tendência que vem se fortalecendo a cada dia no Brasil. Segundo o Fintech Report 2022, do Distrito, as empresas de crédito já representam 17,5% do mercado nacional de fintech, o que credencia o segmento como líder do setor.

Evolução

Importante destacar que todo esse movimento teve seu pontapé inicial com o BaaS (sigla para banking as a service), um marco na ruptura para o Open Finance. Agora, no entanto, o foco se volta ao CaaS justamente por favorecer todo o acesso ao crédito, que é a força motriz para deslanchar negócios. Assim, permite que empresas utilizem plataformas e serviços terceirizados para acelerar o desenvolvimento e a implantação de produtos financeiros inovadores. Isso facilita a adaptação às rápidas mudanças do mercado e possibilita uma abordagem mais ágil na criação de produtos sob medida.

Democratização do acesso ao crédito

Diferentes organizações, que buscam financiamento para iniciar um novo empreendimento ou expandir as operações, podem recorrer a fontes mais vantajosas e ágeis do que um banco.

O crédito no iFood é um exemplo disso. A maior foodtech da América Latina e líder do mercado no Brasil, que atende hoje mais de 500 mil estabelecimentos brasileiros, concede crédito para empresas parceiras, em um processo totalmente on-line, seguro e sem burocracia. Para isso, usa a reputação do restaurante, ticket médio, tempo de relacionamento, tipo de gastronomia, entre outros indicadores. Dessa forma, consegue discriminar o montante a ser direcionado ao espaço/cliente. Algo que seria inviável com instituições financeiras tradicionais.

Caio Ribeiro, VP de negócios da Mova. Foto: Reprodução/LinkedIn
Caio Ribeiro, VP de negócios da Mova. Foto: Reprodução/LinkedIn

Agora imagine um comércio eletrônico que deseja oferecer opções de financiamento flexíveis para seus clientes. Com o CaaS, por exemplo, essa empresa pode facilmente integrar serviços de crédito em sua plataforma como um diferencial competitivo. Isso permite, então, que os consumidores ‘comprem agora e paguem depois’ (BNPL, na sigla em inglês). O resultado é um aumento das ofertas e as vendas, atraindo e fidelizando mais clientes e se consolidando como uma marca completa e confiável no mercado. Ou seja, qualquer segmento pode suprir lacunas da área, agregando valor ao seu público.

Abordagem holística

O CaaS ainda está desafiando o paradigma tradicional de crédito, que muitas vezes se baseia apenas em históricos e obtenção de capital. Com a disponibilidade de mais dados e algoritmos avançados, o CaaS permite avaliar o risco de maneira mais holística, levando em consideração fatores como capacidade de pagamento, histórico de transações e até mesmo dados comportamentais. Isso significa que mais pessoas e empresas, incluindo aquelas sem histórico de crédito tradicional, podem ter acesso a recursos de maneira justa, inclusiva e personalizada.

Ao eliminar barreiras e introduzir flexibilidade no sistema financeiro, portanto, o CaaS não impulsiona apenas diferentes negócios, como também todo um cenário mais dinâmico e democrático. Como a tendência continua a progredir, podemos esperar transformações ainda maiores no setor financeiro e aumento significativo de boas oportunidades para empreendedores Brasil (e mundo) afora.

*Caio Ribeiro é vice-presidente de negócios da Mova, fintech de crédito recém-adquirida pela Serasa Experian.

Este é um espaço editorial, onde são publicadas análises e opiniões de especialistas de mercado e executivo(a)s com temas de interesse do ecossistema de fintechs. O Finsiders não se responsabiliza pelas informações apresentadas pelo(a) autor(a) do texto.

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